Sangramento nasal (epistaxe): causas, primeiros socorros e quando se preocupar

Nariz sangrando assusta, mas a compressão correta costuma ajudar. Veja os primeiros socorros e quando o episódio precisa de avaliação.

Pessoa adulta sentada e inclinada para a frente enquanto comprime a parte macia do nariz

Primeiros socorros, causas e sinais de alerta

Quando o nariz começa a sangrar, sente-se, incline a cabeça para a frente e aperte continuamente a parte macia do nariz por 10 a 15 minutos. Não solte a cada minuto para conferir e não jogue a cabeça para trás. A maioria dos episódios é pequena e para com a compressão correta, mas sangramento volumoso, dificuldade para respirar, fraqueza ou trauma importante exigem atendimento imediato.

Como parar um sangramento nasal corretamente?

A compressão funciona porque pressiona os pequenos vasos contra o septo, a parede que separa as duas passagens do nariz. O ponto certo fica na porção flexível logo acima das aberturas das narinas. Apertar apenas a ponte óssea não comprime a região onde ocorre a maior parte dos sangramentos.

Use as pontas do polegar e do indicador para fechar as duas narinas, mesmo que o sangue pareça sair de apenas um lado. Mantenha a boca aberta para respirar e não converse durante a contagem. Dez minutos parecem longos quando alguém está preocupado; por isso, vale marcar o tempo de verdade.

Sequência ilustrada mostrando uma pessoa sentada, inclinada para a frente e comprimindo a parte macia do nariz
Sente-se, incline-se para a frente e pressione a parte macia do nariz continuamente. A compressão correta é mais importante do que gelo ou outras medidas caseiras.

A posição inclinada para a frente não faz o sangue sair mais; ela evita que o sangue seja desviado para a garganta. Engolir sangue pode causar náusea e vômito, além de dificultar a percepção do volume do sangramento.

O que não fazer quando o nariz está sangrando?

  • Não incline a cabeça para trás e não se deite.
  • Não solte o nariz repetidamente para verificar se já parou.
  • Não coloque papel, algodão seco, cotonete ou outros objetos dentro da narina sem orientação profissional.
  • Não tente cauterizar o nariz e não aplique álcool, vinagre, café ou substâncias irritantes.
  • Não suspenda anticoagulantes ou antiagregantes por conta própria.

Uma compressa fria protegida por tecido pode trazer conforto, mas a evidência de que ela interrompe a epistaxe é limitada. Gelo na testa, no nariz ou na nuca não substitui o pinçamento contínuo da parte macia.

Sprays vasoconstritores podem ser usados em contextos médicos selecionados, mas não são uma solução universal para casa. Eles têm contraindicações, podem causar efeitos adversos e, quando usados repetidamente, podem piorar a congestão. Este artigo não orienta automedicação.

O que é epistaxe?

Epistaxe é o nome médico do sangramento que começa no nariz. A mucosa nasal é fina e possui muitos vasos próximos da superfície. Essa combinação ajuda o nariz a aquecer e umidificar o ar, mas também torna a região sensível a ressecamento, inflamação e pequenos traumas.

A maior parte dos episódios começa na região anterior do septo e pode ser vista saindo pelas narinas. Sangramentos mais profundos são menos comuns e podem escorrer com intensidade para a garganta, ser mais difíceis de localizar e exigir cuidados hospitalares. O volume aparente, o estado geral da pessoa e a resposta à compressão importam mais para o leitor do que tentar classificar sozinho o sangramento como “anterior” ou “posterior”.

Ilustração anatômica lateral do nariz destacando a rede superficial de pequenos vasos na parte anterior do septo
A rede de vasos próxima à superfície da parte anterior do septo ajuda a explicar por que pequenos traumas e ressecamento podem provocar sangramento.

Quais são as causas mais comuns de sangramento nasal?

Um episódio isolado costuma estar ligado a fatores locais e benignos. Entre os mais frequentes estão:

  • ar seco, calor, ar-condicionado ou mudança de temperatura;
  • coçar ou cutucar o nariz e retirar crostas;
  • assoar o nariz com muita força;
  • rinite, resfriados e outras inflamações da mucosa;
  • pequenos traumas, quedas ou esportes de contato;
  • uso inadequado de sprays nasais, especialmente quando o jato atinge diretamente o septo.

Rinite pode aumentar coceira, espirros e manipulação do nariz. Além disso, uma mucosa inflamada pode ficar mais frágil. Se congestão, espirros e piora noturna fazem parte da rotina, leia também o conteúdo sobre rinite alérgica e sono.

Alterações estruturais podem concentrar o fluxo de ar e favorecer ressecamento em uma área. Isso não significa que todo desvio provoque epistaxe. Sangramento recorrente precisa ser relacionado ao exame e às outras causas possíveis. Veja como essa avaliação é feita no artigo sobre desvio de septo, sintomas e cirurgia.

Pressão alta causa sangramento nasal?

A relação é mais complexa do que a frase “o nariz sangrou porque a pressão subiu”. Ansiedade, susto e desconforto podem elevar a pressão no momento do episódio. Ao mesmo tempo, hipertensão importante ou mal controlada pode acompanhar quadros mais difíceis de controlar.

Um sangramento isolado não confirma hipertensão, e medir uma pressão elevada durante o susto não revela sozinho a causa. Quem já tem hipertensão deve manter o acompanhamento habitual. Sintomas como dor no peito, falta de ar, alteração neurológica ou mal-estar intenso exigem avaliação urgente independentemente do nariz.

Anticoagulantes e problemas de coagulação

Medicamentos anticoagulantes e antiagregantes podem fazer um pequeno ponto sangrar por mais tempo ou voltar a sangrar. Doenças que afetam plaquetas ou coagulação também podem se manifestar com epistaxe recorrente, hematomas fáceis, sangramento gengival ou sangramento prolongado após pequenos cortes.

Não interrompa o medicamento por conta própria. Suspender uma medicação prescrita pode aumentar o risco de trombose, embolia, infarto ou AVC. Se o sangramento for persistente, volumoso ou recorrente, informe no atendimento o nome dos medicamentos, as doses usadas e o horário da última tomada.

Quando o sangramento nasal é uma urgência?

Procure um serviço de urgência se ocorrer qualquer uma destas situações:

  • o sangramento não para após 10 a 15 minutos de compressão contínua e bem posicionada;
  • há grande volume de sangue ou fluxo intenso para a garganta;
  • a pessoa tem dificuldade para respirar;
  • aparecem fraqueza importante, tontura, desmaio, confusão ou palidez acentuada;
  • o episódio começou depois de trauma relevante na cabeça ou no rosto;
  • existe deformidade nasal nova ou obstrução importante depois de uma pancada;
  • a pessoa usa anticoagulante, tem doença de coagulação ou apresenta outros sangramentos espontâneos;
  • o sangramento ocorre em uma criança com menos de 2 anos.

Em sangramento intenso com risco imediato, dificuldade respiratória ou alteração do estado de consciência, ligue para o SAMU 192. O WhatsApp do consultório apresentado ao final deste artigo não substitui pronto-atendimento nem serviço de emergência.

Sangramento nasal em crianças

Em crianças maiores, ressecamento, rinite e manipulação do nariz são causas frequentes. Durante o episódio, um adulto pode manter a criança sentada no colo, inclinada para a frente, e ajudar a pressionar a parte macia do nariz. É importante transmitir calma e usar um cronômetro.

Sangramento junto de secreção com mau cheiro em apenas uma narina pode ocorrer quando existe um corpo estranho. Não tente retirar objetos com pinça, cotonete ou instrumentos improvisados, porque eles podem ser empurrados para uma região mais profunda. Pilhas e ímãs no nariz exigem atendimento imediato.

Episódios frequentes acompanhados de hematomas sem explicação, sangramento gengival ou histórico familiar de sangramentos merecem avaliação médica. Em menores de 2 anos, epistaxe é incomum e deve ser investigada.

Quando sangramentos recorrentes precisam de investigação?

Vale marcar avaliação quando os episódios se repetem, atrapalham o sono ou a rotina, acontecem sem um gatilho claro ou sempre começam do mesmo lado. Sangramento unilateral persistente associado a obstrução progressiva, secreção com mau cheiro, dor ou alteração na face também deve ser examinado.

A consulta começa pela história: frequência, duração, lado, volume aproximado, fatores ambientais, rinite, traumas, cirurgias, medicamentos e outros sangramentos. A rinoscopia permite examinar a região anterior. A endoscopia nasal pode ser indicada se o ponto não estiver visível, o quadro for recorrente ou houver preocupação com uma área mais profunda.

Exames de sangue ou imagem não são obrigatórios depois de todo episódio leve. Eles são escolhidos conforme gravidade, recorrência, medicamentos, suspeita de anemia ou alteração da coagulação e achados do exame. O objetivo é investigar de maneira proporcional, sem banalizar o sangramento nem transformar todo caso em sinal de doença grave.

Como o médico pode tratar a epistaxe?

Quando a compressão não resolve, o atendimento primeiro avalia via aérea, circulação e localização do sangramento. Dependendo do caso, podem ser utilizados medicamentos tópicos, cauterização de um ponto visível ou tamponamento com material apropriado. Sangramentos persistentes ou mais profundos podem exigir endoscopia, procedimento cirúrgico ou tratamento endovascular em ambiente hospitalar.

Essas técnicas não devem ser reproduzidas em casa. A escolha depende do local, da intensidade, das condições clínicas e do uso de medicamentos que alteram a coagulação. A cauterização, por exemplo, só é considerada quando o profissional identifica a área adequada e controla os riscos para a mucosa e o septo.

Como reduzir a chance de um novo sangramento?

Depois que o sangramento parar, evite assoar ou cutucar o nariz, retirar a crosta e fazer esforço intenso nas horas seguintes. Bebidas muito quentes, banho muito quente e álcool podem favorecer novo sangramento em algumas pessoas no primeiro dia.

Em ambientes secos, medidas de umidificação e soluções salinas podem ajudar a reduzir o ressecamento, mas produtos oleosos, pomadas e medicamentos precisam ser escolhidos com orientação quando o uso for frequente. Umidificadores exigem limpeza correta para não acumular mofo e microrganismos.

Se você usa spray nasal prescrito, a técnica pode fazer diferença: em geral, o jato é direcionado para a parede lateral, afastando-o do septo. Sangramento repetido durante o tratamento deve ser comunicado ao profissional que acompanha o caso, sem interromper ou ajustar a medicação por conta própria.

Perguntas frequentes

Devo apertar apenas a narina que está sangrando?

Não. O mais simples é fechar as duas narinas, comprimindo a parte macia contra o septo. Isso mantém a pressão estável e evita errar o lado ou a posição do foco.

Gelo na nuca faz o sangramento parar?

Não há boa evidência de que gelo na nuca interrompa a epistaxe. Uma compressa fria protegida pode trazer conforto, mas a medida principal continua sendo apertar corretamente a parte macia do nariz pelo tempo completo.

Sangramento nasal pode ser tumor?

Tumores são causas incomuns. Ainda assim, sangramento persistente de um lado associado a obstrução progressiva, secreção com sangue, dor ou alteração facial precisa ser examinado. Esses sinais não confirmam câncer; apenas justificam avaliação sem demora desnecessária.

Quando procurar um otorrinolaringologista?

Quando os episódios se repetem, acontecem sempre do mesmo lado, interferem na rotina ou vêm acompanhados de congestão, crostas, dor, secreção ou dificuldade para respirar pelo nariz. O especialista pode localizar o ponto, revisar fatores predisponentes e discutir prevenção e tratamento.

Depois que o susto passa, vale entender por que aconteceu

A maioria dos sangramentos nasais é pequena e responde à compressão correta. O episódio deixa de ser apenas um imprevisto quando se repete, demora a parar ou aparece junto de outros sintomas. Nesses casos, a avaliação ajuda a diferenciar ressecamento e inflamação de alterações estruturais, medicamentos e causas menos comuns.

O sangramento parou, mas os episódios continuam voltando?

Se você está em Irecê ou região e deseja informações sobre avaliação otorrinolaringológica para sangramentos recorrentes ou outros sintomas nasais, fale com a equipe da Dra. Manuella. Este canal é destinado a informações e agendamento; não atende urgências médicas.

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Referências

  1. Diretriz clínica da AAO-HNSF sobre sangramento nasal, 2020.
  2. Tunkel e colaboradores: Clinical Practice Guideline — Nosebleed, 2020.
  3. NHS: primeiros socorros e sinais para procurar atendimento.
  4. Hospital Israelita Albert Einstein: o que fazer em caso de hemorragia nasal, 2025.
  5. Royal Children’s Hospital Melbourne: diretriz pediátrica de epistaxe, atualizada em 2026.
  6. Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: sangramento nasal.
  7. Mayo Clinic: quando procurar atendimento por sangramento nasal, 2025.
  8. Ministério da Saúde: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — SAMU 192.

Última revisão editorial: 5 de agosto de 2026. Este é um conteúdo educativo e não substitui avaliação médica ou atendimento de urgência. O estado da revisão clínica é informado pelo selo editorial desta página.

Conteúdo revisado clinicamente pela Dra. Manuella Martins em 05/08/2026.